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"Não se curvem,... vocês fazem parte de algo magnânimo, magnífico e que muda a alma e que muda a história" Mumia Abu-Jamal

"Não se curvem,... vocês fazem parte de algo magnânimo, magnífico e que muda a alma e que muda a história" Mumia Abu-Jamal

Declaração do ex-membro do Partido dos Panteras Negras aos estudantes estadunidenses que ocupam as universidades em apoio à causa palestina. Mumia completou 70 anos no dia 24 de abril, 41 desses na prisão e 32 na solitária, como preso político dos USA.

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No dia 26 de abril, por telefone da prisão onde está detido por um julgamento racista e cheio de irregularidades, o ex-Black Panther Mumia Abu-Jamal incitou aos acampados no City College da Universidade da Cidade de Nova York (Cuny). “Do not bow!” (em português, “não se curvem”), dizia Mumia aos ativistas acampados, explicando as semelhanças entre a luta pela libertação Palestina e dos povos indígenas nos EUA, de quem foram roubadas as terras e a liberdades e foram condenados a viver em reservas e na pobreza.

Os estudantes da Cuny são majoritariamente filhos da classe operária e pretos. Em 1984 a Universaidade cortou laços com empresas que apoiavam o regime do apartheid da África do Sul. Hoje, a comunidade pró-palestina exige que a universidade faça o mesmo com o apartheid sionista e com empresas como a Amazon e a Google associadas a Israel em contratos que chegam a 1,2 bilhões de dólares que financiam a máquina genocida.

Mumia Abu Jamal é um premiado jornalista de radiodifusão, ensaísta e autor de 12 livros. Em 1981, Abu-Jamal foi eleito presidente da Associação de Jornalistas Negros na Filadélfia.

Mumia Abu-Jamal fazia parte do Partido dos Panteras Negras em 1982 quando foi preso e acusado injustamente de ter assassinado o policial Daniel Faulkner no estado da Filadélfia. Foi condenado à solitária e a pena de morte. Todos os anos, inclusive nas jornadas de lutas nacionais contra o assassinato de Geroge Floyd, milhares de pessoas protestam pela liberdade de Mumia em uma complexa e árdua batalha judicial e política. A dimensão do caso, levou a centenas de manifestações, atos políticos, e várias entidades e personalidades clamaram por justiça, em sua defesa, tais como : Congresso Nacional AfricanoAmnistia InternacionalParlamento Europeu, Ordem Nacional dos Advogados (dos Estados Unidos), Coalizão Nacional pela Abolição da Pena de Morte, Jacques DerridaStephen Jay GouldJesse JacksonDanielle MitterrandSalman Rushdie, arcebispo Desmond TutuElie Wiesel.

Após quase 30 anos de prisão a Corte Federal do Estado imperialista e racista considerou que haviam irregularidades na sentença e decidiu converter a pena de morte em prisão perpétua, continuando a negar o direito de liberdade ainda que condicional a Mumia que é frequentemente convidado para ser o orador de turmas de formaturas de várias faculdades por todo o Estados Unidos, o que ele faz através de chamadas telefônicas.

 

Discurso de Mumia Abu-Jamal em apoio a luta dos estudantes universitários dos EUA pela Palestina:

“É algo maravilhoso que vocês decidiram não se manter em silêncio e decidiram falar contra a repressão que vocês estão vendo com os seus próprios olhos. Vocês são parte de algo massivo, e vocês são parte de algo que está no lado correto da história.”

“Vocês estão contra um regime colonial que rouba as terras dos povos nativos daquela área. Eu exorto a vocês, imploro-lhes que falem contra o terrorismo que está a afligir Gaza com toda a sua vontade e toda a sua força. Não se curvem perante aqueles que querem vê-los em silêncio.”

“É tempo agora, neste dia, neste momento, de sermos ouvidos e de fazermos tremer a terra até que o povo de Rafah, o povo de Gaza, o povo da Cisjordânia, o povo da Palestina possam sentir a nossa solidariedade para com eles.”

“Este é o tempo deles. Quando surgem momentos radicais, temos de agarrá-los com as duas mãos. Quando vemos a carnificina, a mega-morte que se abateu sobre os territórios ocupados da Palestina, é preciso que ergamos a nossa voz e digamos a verdade ao povo, falando realmente contra este castigo maciço contra o povo por se atrever a lutar pela sua liberdade, pela sua terra.”

“Quando penso nos palestinos, penso nos povos indígenas dos Estados Unidos… Israel e os Estados Unidos são Estados coloniais, vieram para tirar a terra aos povos em ambas as situações – tentando fazê-lo na Palestina da mesma forma que o fizeram durante centenas de anos nos Estados Unidos. Como é possível que os povos indígenas, os povos originais, naquilo a que agora se chama os Estados Unidos, vivam em reservas e na pobreza?”

“Os guetos de Gaza são demasiado grandes para o apetite dos israelenses e dos invasores. Eles querem colocá-los em reservas ou eliminá-los. Chegou o momento de falar, de falar e de estar ao lado dos oprimidos de Gaza e da Cisjordânia”.

“O povo de Gaza está lutando para ser livre de gerações de ocupação. Então não é o bastante, irmãos e irmãs, demandar um cessar-fogo. Exijam o fim da ocupação, cessar a ocupação, e que seja este o grito de guerra de vocês, porque é esse o apelo que a história da qual todos vocês fazem parte.”

“Vocês fazem parte de algo magnânimo, magnífico e que muda a alma e que muda a história. Não deixem escapar este momento, façam com que ele seja maior, façam com que ele seja mais massivo, mais poderoso, façam com que ele ecoe até às estrelas. Estou emocionado com o trabalho de vocês: eu amo vocês!”


 

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