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Punição para os golpistas de 1964 e de hoje!

Punição para os golpistas de 1964 e de hoje!

1964, o grande capital impõe um Estado fascista no Brasil. 2016, realizou um novo golpe. 2018, pôs um fascista na presidência

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Há 60 anos, a burguesia e o imperialismo usaram as Forças Armadas para realizar uma contrarrevolução preventiva no país. O que mais temiam era que o Brasil seguisse o exemplo de Cuba, cujo fantasma revolucionário pairava sobre o continente e dava, ao mundo, lições de coragem política às barbas do império. Os EUA orquestraram Golpes de Estado também na Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Uruguai e Paraguai.

Assassinatos, torturas, atentados, exílios, prisões, estupros, censura, estrangulamento de direitos foram realizados pelo aparato repressivo estatal e paraestatal para, aprofundando a opressão política, potenciar a exploração de classe de operários, camponeses, seringueiros, indígenas, quilombolas e sertanejos.

As classes dominantes tremiam diante do crescente e generalizado ascenso político dos operários e camponeses, influenciados pelo populismo, pela Teologia da Libertação, pelas organizações comunistas, organizados nos sindicatos urbanos, rurais, nas ligas camponesas e nos partidos de esquerda.

Como bem nos ensinou o professor marxista Octavio Ianni, o “milagre econômico” e o “modelo brasileiro” se apoiaram em uma taxa de mais-valia extraordinária arrancada pelo terrorismo estatal e pela brutalidade da ditadura contra operários e camponeses e no superendividamento do país para com o imperialismo.

Sob o estado fascista da ditadura empresarial-militar, a violência sistematizada foi desenvolvida tecnicamente e convertida em força produtiva complementar. A força de trabalho foi desvalorizada ao longo de duas décadas, enquanto o preço das outras mercadorias crescia porque os trabalhadores foram truculentamente proibidos de fazer greve e lutar por seus direitos.

A máquina estatal foi militarizada e sob a orientação dos EUA foram aprimoradas as técnicas policiais de controle, espionagem e repressão dos movimentos populares. A repressão estabeleceu seus tentáculos na mídia, escolas, fábricas, escritórios, universidades, no futebol.  Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), entre 1964 e 1984, foram mortos 8.350 indígenas e quase cinco centenas de operários, camponeses, sindicalistas e comunistas. Conforme a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da SEDH-PR, pelo menos 50 mil pessoas foram presas somente nos primeiros meses da ditadura militar e cerca de 20 mil brasileiros passaram por sessões de tortura.

Mas, ao final de duas décadas, a luta crescente e cada vez mais forte dos trabalhadores por aumento salarial, contra a carestia, por terra, emparedou a ditadura e o obrigou a sair de cena. Torturadores, generais, os agentes fascistas e seus mandantes capitalistas se livraram de pagar por seus crimes contra o país e seu povo através de uma anistia. Diferentemente da Argentina, Grécia, Portugal, Guatemala,... nenhum empresário golpista, militar ou torturador foi penalizado no Brasil. Não houve justiça de transição. Não houve justiça.

Com outro formato, mas articulado novamente pelo imperialismo, capital financeiro, monopólios e pelo latifúndio, um novo golpe foi desferido contra o Brasil e a população trabalhadora em 2016. Juntamente com o Brasil, outros países sofreram golpes de estado parlamentar-militar na América Latina no século XXI, como Honduras, Paraguai, Bolívia e Peru. Não por acaso, o parlamentar fascista que homenageia aos torturadores da ditadura de 1964-1985 no ato do golpe de 2016 (impeachment) foi convertido pelo novo regime judicial-parlamentar-militar golpista em presidente em 2018.

No governo, Bolsonaro não conseguiu realizar um auto-golpe nem instaurar uma ditadura militar como desejava, mas muitas pessoas de esquerda foram mortas por bolsonaristas, os óbitos de yanomami por desnutrição cresceram 331%, aumentaram os assassinatos no campo, o feminicídio e os crimes por racismo. O governo foi acusado em um relatório internacional de ter praticado “crime contra a humanidade” por sua gestão da pandemia ter potenciado as mortes no Brasil a quase 700 mil.

Em geral, depois de governos nacionalistas e populistas, como o de Jango e os do PT, o imperialismo e a direita tratam de abortar as aspirações populares com golpes de estado, eliminação de direitos conquistados e novos ciclos de superexploração de classe e acumulação de capitais.

Por sua vez, é errado e perigoso criar ilusões de poder conciliar com seus algozes fascistas recuando politicamente, como está fazendo Lula agora. O governo do PT não quer nem possui forças para anular a herança maldita que permite ao empresariado seguir acumulando às custas das medidas impostas contra o povo por Temer e Bolsonaro. Todavia, essas forças virão das ruas, da população mobilizada e polarizada contra a direita e não da contenção da luta contra o golpismo ou do silêncio sobre 1964. 

Os trabalhadores e a esquerda precisam superar essa política suicida que só fortalece ao golpismo, exigir de Lula, do PT, da CUT e MST que convoquem fortes manifestações para repudiar os golpes de 1964 e 2016, pela reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e da comissão da anistia, punição dos criminosos fascistas e sobretudo seus mandantes empresariais, bem como anulação de todas as medidas e contrarreformas impostas pelos processos golpistas contra a população trabalhadora.

Sem cortar o golpismo empresarial-militar pela raiz, sem avançar na luta por expropriá-los e pela instalação de um governo soberano e próprio dos trabalhadores, fazendo do Brasil uma Cuba grande e desenvolvida, essa ameaça própria de regimes burgueses subalternizados sempre pairará sobre nós.

 

A faixa com os dizeres: Abaixo a Ditadura, povo no poder - durante a passeata dos 100 mil / Local: Centro - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ) - Brasil / Data: 06/1968

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