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8 de março - Dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras.

8 de março - Dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras.

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Todos os anos o 8 de março marca um dia para avaliarmos, reivindicarmos e celebrarmos as conquistas de nós, mulheres trabalhadoras, ao longo da nossa jornada de lutas desde a Revolução Industrial e o advento das organizações feministas. É importante ressaltar que nós militantes comunistas sempre buscamos compreender e avaliar a situação e as lutas das trabalhadoras em todo o mundo. Em todo o canto do mundo capitalista as mulheres trabalhadoras são sempre as mais atingidas quando o capitalismo decide retirar direitos. Neste ano de 2024 não é possível nem mesmo aceitável falar do 8 de março sem tratar da questão Palestina. O genocídio do Estado de Israel contra o povo palestino tem como principal alvo civil as mulheres e as crianças. Uma brutalidade que carrega a violência do patriarcado. Matar mulheres e crianças compromete as gerações futuras do povo palestino. Enquanto milhares de pessoas ao redor do mundo exigem cessar fogo na Palestina, o Estado de Israel apoiado pelos EUA e outros países comete as maiores atrocidades contra o povo palestino, sobretudo contra mulheres. Portanto, neste 8 de março, a luta por “Palestina Livre” e pelo cessar fogo tem que estar na pauta das nossas atividades!

No Brasil, nos últimos anos desde o golpe contra Dilma os ataques aos nossos direitos enquanto trabalhadoras foram muitos, mas enquanto mulheres sofremos ainda mais. A votação contra a presidenta Dilma já demonstrou o tamanho da violência que enfrentaríamos ao assistir o infame voto do então deputado Jair Bolsonaro homenageando Ustra, o criminoso torturador de Dilma nos porões da ditadura. A tragédia que enfrentaríamos ficou clara quando Bolsonaro não sofreu uma única sanção, mas saiu como “mito”, que nunca escondeu o quanto odeia mulheres, e em seguida, candidato à presidência da república.

No período pós golpe, os ataques aos grupos minorizados aumentaram.  Retirada de direitos e conquistas em escala crescente. O direito ao aborto legal, que sempre foi de difícil acesso por questões morais e sociais, por falta de informação e por causa da moral religiosa sofreu ainda mais impedimentos durante o governo Bolsonaro. Portarias que dificultam mais o acesso e violentam ainda mais as mulheres foram editadas. A então ministra da Mulher Damares Alves liderou ataques brutais aos direitos das mulheres. Estados e municípios adotaram medidas violentas de impedir que mulheres vítimas de estupro, grávidas de anencéfalos ou com risco de morte que buscam o aborto legal para interromper uma gravidez de dor e sofrimento passaram a ser obrigadas a procedimentos que aumentam o sofrimento e a “culpa”. Uma brutalidade! Além de tudo isto, as perdas de direitos trabalhistas e previdenciários aumentam a precariedade entre as mulheres.

A eleição de Lula, numa frente de ampla aliança com a direita, interrompe o governo de extrema direita de Bolsonaro. Lula governa nos limites da Frente Popular, onde a burguesia impede que avanços sejam garantidos aos trabalhadores. No entanto, em seu primeiro ano de governo, Lula retoma as pautas sociais e cria o Ministérios das Mulheres e em seguida sanciona a Lei de Igualdade Salarial entre homens e mulheres. A Lei atende uma reivindicação de anos de lutas, não só no Brasil. Um pequeno passo à frente, mas se avaliarmos o contexto, podemos dizer que foi uma conquista. Um país dividido, com o fascismo em ascensão, o discurso de ódio contra mulheres trabalhadoras e demais grupos minorizados e crise econômica, com números recordes de desemprego, a lei que garante salários iguais para homens e mulheres nas mesmas funções é um avanço. Cabe a nós a tarefa de fazer valer a lei!

Temos muita luta pela frente. A lei em si não basta. A ordem burguesa não vai acatar uma lei que favorece trabalhadoras, muito menos em tempos de crise mundial, de avanço de pautas reacionárias ultraconservadoras, sustentadas pelas igrejas evangélicas, que doutrinam e alienam cada vez mais as mulheres. Derrubamos Bolsonaro, mas não eliminamos a pauta reacionária que atinge as mulheres trabalhadoras. Mobilizar as mulheres trabalhadoras enquanto classe é uma tarefa urgente para avançarmos na conquista de direitos e barrar a pauta reacionária, fascista! Organizar sob as bandeiras e a pauta da classe trabalhadora! Não podemos neste momento de forte crise e ataques contra a classe trabalhadora nos limitar ao discurso de gênero. Nos organizarmos enquanto mulheres trabalhadoras é imperativo. Somar nossas lutas às de outros grupos minorizados é necessário pra nos fortalecer enquanto classe trabalhadora.  Tomemos como exemplo a fala de Angela Davis durante a greve mundial de mulheres em 2017, ao convocar a unidade de lutas feministas com as pautas sindicais. O ataque é contra mulheres pobres, periféricas, principalmente pretas, mães solo, jovens e adolescentes. Somos mulheres e trabalhadoras!

Neste 8 de março vamos unificar nossas lutas e pautas à luta do povo palestino, das mulheres palestinas!

Coletivo de mulheres do Partido Comunista

 

 

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