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CEARÁ: governador do PT usa argumento da direita para atacar professores em luta

CEARÁ: governador do PT usa argumento da direita para atacar professores em luta

Governo Elmano de Freitas do PT faz jogo da direita e ataca professores das universidades públicas estaduais em greve por reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Compara salário de professor com miséria e pobreza da maioria da população do Ceará. Tese usada pelos ideólogos do atraso para rebaixar mais ainda os direitos da maioria da população. Ao mesmo tempo, o governador, oriundo dos movimentos sociais, não quer reabrir a mesa de negociação.

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Fonte: Diário do Nordeste, Instagram

Em entrevista para o jornal Diário do Nordeste[1] o governador Elmano de Freitas fez a seguinte avaliação da greve dos docentes das universidades públicas cearenses:

“A média salarial dos nossos professores universitários é de R$ 14 mil. Eu sou o governador de um estado em que o povo cearense vive com dois salários mínimos, e olhe lá. Grande parte no mercado informal. (...) Não é justo esse professor de R$ 14 mil não dar aula para um aluno que a família dele ganhou R$ 1.400, R$ 1.500, R$ 2.000. Não acho justo, politicamente. Estou falando não como um governador, como cidadão”.

O objetivo foi claro, colocar a população de um dos estados mais pobres do Brasil contra trabalhadores da educação que reivindicam reposição salarial e melhores condições de trabalho.

Isso mesmo, a greve não é por aumento salarial, mas pela reposição das perdas salariais que a inflação acumulada vem corroendo.

Não só isso, os docentes em luta defendem as universidades públicas estaduais, instrumento básico para o desenvolvimento do estado do Ceará.

Curioso é que o governador Elmano de Freitas não fala das raízes da tremenda desigualdade presente na sociedade cearense. Não fala da concentração de renda e riqueza. Não fala dos 17 bilionários cearenses cercados por um mar de pobreza e miséria. Não fala dos incentivos fiscais para favorecer grupos econômicos que superexploram trabalhadores sem oferta de saúde, educação e lazer de qualidade. E a reforma agrária no Ceará? E as escolas do campo?

Por sinal, o governador foi ligado aos movimentos sociais, mas está falando a língua dos grandes capitalistas e latifundiários.

Elmano de Freitas está culpando os que lutam, enquanto seu governo não combate as causas econômicas e sociais do sofrimento da maioria dos cearenses.

A culpa pela decadência do ensino superior não é o salário de docentes da UECE, URCA e UVA. Professores e professoras se esforçam muito para manter a universidade funcionando com ensino, pesquisa e extensão.

Agora, e os salários de juízes, desembargadores e membros do Ministério Público? E os salários da cúpula da segurança pública? E os salários dos deputados estaduais?  Por que o governador não cita?

A verdade, nua e crua

Atualmente, o quadro docente das Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Ceará é de 2.466 professores/as. Destes, 63,83% são da UECE, 18,53% são da URCA e 17,64% são da UVA. Do total, 65,98% estão na ativa e 34,02% são aposentados.

A folha de pagamentos dos docentes das universidades estaduais cearenses é de R$ 44,47 milhões assim distribuídos: 58,61% da folha refere-se aos ativos e 41,39% aos aposentados.

Os docentes das universidades estaduais correspondem a 1,39% do total de 177.983 servidores do Estado do Ceará, representando 3,95% do total da folha de pagamento que é de 1,13 bilhão de Reais. Para a reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos anos, de 35,51%, o governo Elmano de Freitas teria que disponibilizar 15,79 milhões de Reais, o que representaria aumento irrisório de 1,4% sobre a folha de pagamentos do total de servidores[2]. Isso vai quebrar o Estado do Ceará?

O que fazer?

Os comunistas do PC votaram em Elmano contra a extrema direita. E defendem seu governo contra os ataques dos reacionários. Mas, denunciam sua política de austeridade e de aproximação com as oligarquias regionais. O governo Elmano deve romper com os setores tradicionais e conservadores para apoiar-se nos setores democráticos e populares por reformas estruturais no Ceará.

Elmano deve restabelecer a mesa de negociação com os docentes em greve e fortalecer as universidades pública estaduais. Ao mesmo tempo, a CUT, o MST, o MTST e o conjunto do movimento operário-popular devem se colocar imediatamente ao lado do movimento grevista em defesa da universidade pública e gratuita, pressionando o governo para negociar.

 

 


[1] https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/nao-e-justo-professor-de-r14-mil-nao-dar-aula-para-aluno-que-familia-ganha-r14-mil-diz-elmano-1.3519527

[2] Dados retirados de Manifesto Nº 4/2024 Fortaleza – CE, 4 de junho de 2024 do Mandacaru Coletivo Docente - na UECE/ Coletivo Rosa Luxemburgo - ANDES-SN.

 

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