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CEARÁ: Mais um jovem Léo

CEARÁ: Mais um jovem Léo

Luta no campo

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Thales Emmanuel, militante da Organização Popular – OPA

Leonardo Rocha, o Léo, ficou empolgadíssimo com sua participação na 1° Ocupação em Defesa da Casa Comum, em dezembro do ano passado. Ele, que entrou de cheio nas reuniões de preparação com as comunidades, na paralisação da obra da Barragem Fronteiras, em Crateús-CE, foi um dos primeiros a embiocar nas salas da chefia para exigir os direitos das famílias atingidas.

“Você viu só?! Eu segurei a porta para que todos pudessem passar. Não quero mais a vida de antes. É nessa militância que eu quero estar!”, falou-nos emocionado no retorno à sede da associação comunitária do Conjunto Nossa Senhora de Fátima. Léo, com seus 24 anos de idade, parecia finalmente ter encontrado um sentido na vida que lhe preenchesse completamente a alma.

Por intermédio de outros companheiros, fiquei conhecendo um pouco da vida de sua família e da fome sempre presente em seu lar, quando finalmente, depois de muita luta, conquistaram um. Léo tinha um amor e cuidado incondicionais a dois sobrinhos. Quando começamos a dar aulas de defesa pessoal na sede da associação, ele logo os trouxe. Os moleques são bastante dedicados e não faltam a nenhum treino. “São assim por conta de minha mãe. Ela é durinha. Não aprende com ela quem não quiser”, era com um orgulho raro de ver que se referia a seus pais. “Sou filho de pescador. O meu pai é pescador.”

“Eu queria ter tênis bom, ter roupa boa, mas a situação em casa não dava.” É, Léo, o capitalismo se apresenta como uma grande vitrine, mas nega à maioria o direito de acessá-la. Por crueldade e cinismo, é a mesma maioria que produz absolutamente tudo: o bom tênis, a boa roupa, a vidraça... Tudo mesmo! Tudo, menos a inacessibilidade.  

O jovem Léo, que não sabia ler nem escrever em papel, estava aprendendo e ensinando com a coletividade a analisar a realidade por outra ótica e a construir uma nova história, mas seu tempo foi interrompido. Sua vida foi tirada violentamente na noite de ontem, 08 de janeiro. Mais uma vítima de vítima.

Nossa missão não é julgar. Nossa missão é conviver, e, convivendo, convertermo-nos para as transformações sociais estruturais que ponham fim ao sistema de morte que tanta dor provoca. Nossa missão é aprender e ensinar a apontar a mira para os inimigos reais de nosso povo.

Que no ano novo possamos manter acesa a chama do compromisso com a velha luta por uma vida nova, e que esta seja socialista – não egoísta, não capitalista –, posto que seja plena para todas as pessoas.

 
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