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MILEI, DE LA RÚA E O ARGENTINASSO

MILEI, DE LA RÚA E O ARGENTINASSO

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Milei não é De la Rúa. O atual presidente é produto de uma situação internacional e nacional muito diferente, de uma época de declínio do domínio dos EUA e do sistema imperialista mundial e de uma crise de representação política burguesa muito mais profunda do que no primeiro ano do século XXI.

Millei e De la Rúa chegaram de mãos dadas com coligações políticas que a nível eleitoral tinham forte apoio da classe média. Em ambos os casos, eles fazem parte de governos antiperonistas após os governos da ditadura militar (1976-1983).

Ambos são produtos da crise da economia política argentina e da insatisfação popular com o peronismo historicamente dominante. Aproveitando a votação raivosa, governos antiperonistas lançam ajustes antipopulares em nome de salvação econômica, e com exceção de Macri, de quem discutiremos mais à frente, todos os governos anti-peronistas dos últimos 40 anos foram derrubados pela ira popular.

A raiva das massas contra os ataques a elas promovidos por De La Rúa, como a flexibilidade trabalhista, com a chamada lei BANELCO e o confisco de poupadores com o corralito, vão derrubar o presidente da UCR dois anos depois de sua posse.

A revolta popular de 19 e 20 de dezembro de 2001 pôs fim ao seu governo e abriu caminho para uma situação pré-revolucionária.

Com Milei, por tras da “revolución por la libertad” e da “libertad carajo!” vem ameaças de prisão e criminalização de todos os protestos populares contra o já anunciado corte em obras e serviços sociais que comprometerão as condições mínimas de sobrevivência dos setores mais empobrecidos do proletariado, desvalorização, altas taxas e impostos para todos os funcionários, mesmo para as classes médias.

Hoje os ataques de De La Rúa, são ofuscados pelo que Milei faz com a megadesvalorização que liquefaz salários ou as próximas tarifas. Isso fará com que Milei se desgaste mais rápido do que em sua época se desgastou De la Rúa.

E mais! Milei é muito mais fraco que De La Rúa, não tem um partido tradicional como o UCR, ou um bloco próprio parlamentar relevante, é refém do odiado bloco de Macri, que fez um dos acordos de maior endividamento da Argentina com o FMI de todos os tempos, não conta com um forte apoio em nível internacional - como se vê que até agora não conseguiu obter financiamento externo, o que significa que não há gradualismo possível no ajuste - e não tem ligações importantes com organizações sindicais. Por isso, em poucos dias Millei já foi obrigado a se desmoralizar e desistir de suas próprias promessas radicais de campanha, como a dolarização, o fim do Banco Central, o rompimento das relações com a China e o Brasil. A realidade tem obrigado o aspirante a facista a recuar todos os dias.

Nos protestos no dia 20 de dezembro, que deverá contar com a presença de dezenas de milhares de pessoas que lutam por um Natal sem a fome que Milei lhes impõe, vão forçar o governo a dar mais um passo atrás, no seu recentemente anunciado protocolo repressivo.

 

Tendência Militante Bolchevique (https://tmb1917.blogspot.com/2023/12/milei-de-la-rua-y-el-argentinazo.html#more)

 

 

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