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Por que a extrema direita cresce na Europa?

Por que a extrema direita cresce na Europa?

O crescimento da extrema direita na Europa exige uma explicação classista e uma alternativa revolucionária.

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Uma série de eventos e fenômenos contribuíram para que os movimentos de extrema direita tivessem uma posição de crescente destaque nos últimos anos na Europa.

Primeiro, uma onda de ataques de organizações islâmicas aos países imperialistas europeus: atentados a bomba nos trens de Madri em 2004, no metrô de Londres em 2005 e vários ataques mortais na França em 2015.

Segundo, a “crise migratória” nascida da ofensiva do imperialismo contra as nações e povos oprimidos. Em 2015, o fluxo migratório atingiu níveis críticos, chegando a mais de um milhão de pessoas procedentes da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Centenas de milhares homens, mulheres e crianças buscavam entrar nos estados membros da União Europeia solicitando asilo. A fuga de seus países era devido a  guerras, intolerâcia religiosa, terríveis mudanças climáticas e diversas formas de violência.  A grande maioria chegou pelo mar, mas alguns imigrantes fizeram o seu caminho por terra, principalmente através da Turquia e Albânia. Tal ação desesperada foi utilizada pela ideologia xenofóbica da extrema direita europeia como uma “invasão mulçumana”, uma conspiração para destruir a civilização ocidental e disputar os direitos sociais dos trabalhadores brancos, criando mais violência e desemprego. Preparando assim, a dominação dos “povos orientais” e inferiores sobre os europeus.

Porém, a causa principal que gerou a massa desesperada que apoia a extrema direita, inclusive, muitos jovens, foram os ataques capitalistas contra as conquistas sociais dos trabalhadores: a ofensiva neoliberal de 1979-2008, numa primeira fase.

A receita econômica neoliberal resultou na estagnação dos padrões de vida das classes trabalhadoras europeias e numa redução dos pagamentos de benefícios de bem-estar social, que solaparam as bases políticas da esquerda social-democrata e stalinista. Nesse contexto, as direções dos partidos social-democratas tornaram-se cada vez mais neoliberais e os Partidos Comunistas se converteram em organizações social-democratas. O que levou uma parcela da população para alternativas cada vez mais radicais à direita com seu discurso demagógico antissistema.

O salto de qualidade que acelerou o crescimento da extrema direita foi a crise de 2008 e a radicalização das políticas de austeridade que buscam a desvalorização do valor da força de trabalho e o fim dos direitos sociais.

Na Europa, como em qualquer lugar do mundo, só há uma maneira de combater a extrema direita: uma frente única das classes trabalhadoras com uma alternativa radical de esquerda, um programa socialista.

                                                    Fonte: Folha de São Paulo, 10 de junho de 2024.

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